Conhecimento, a arte de reconstruir pontes.

Para mim a única coisa que deveríamos – fundamentalmente – aprender na nossa jornada pela vida é não sermos vítimas da própria existência. Jesus falava em sermos herdeiros do reino dos céus “Alegrai-vos pois é de grande benevolência do pai que vos sejais herdeiro de seu reino”, ou seja, somos os seus sucessores, herdeiros, aqueles que gerenciam e continuam seu trabalho, e não seus servos ou escravos uma vez que Deus não necessita ser adorado, dado a sua característica principal, o amor: “Deus é amor”, e no amor não existe pré-condições, não se espera nada em troca, quem ama é completo e realizado pelo próprio sentimento de amar. Esse pensamento (de adorar a deus) é muito perigoso e ajuda a entender o estado de inércia do mundo, se trata de um mecanismo de fuga da nossa reponsabilidade, uma vez que coloca Deus como separado ou superior de nós e, portanto, nos livra de qualquer possibilidade de seguir seus exemplos, só é possível continuar o trabalho quando temos a mesma capacidade, estamos de igual para igual.

Quando assumimos a responsabilidade da nossa existência paramos de culpabilizar os outros, paramos de esperar uma salvação externa, somos completamente capazes de resolvermos qualquer coisa, realizar qualquer feito. Pense sobre isso, essa verdade desmonta praticamente todo o sistema econômico e social que vivemos, a mentira que nos é contada desde pequenos.

Desde crianças somos levados à um processo de construção de visão distorcida da realidade, o que vemos e pensamos não corresponde a verdade. Esta visão nos leva a acreditar que necessitamos de ajuda, que somos fracos ou incapazes, fora as demais coisas, como intricadamente a separação entre nós e Deus, a construção de uma imagem de Deus superior e punitivo. É de grande importância perceber que Trata-se de uma imagem sistematizada na sociedade para que o menor número possível de pessoal perceba a realidade, não somos uma parte do criador, somos o criador em seu todo se manifestando. Não há o que ser temido ou conquistado, já estamos completos.

Pessoas as quais já perceberam isso não tem mais interesse em participar da corrida, da competição, simplesmente já “soltaram o mundo” como Buda falava, ou “estão no mundo, mas não são do mundo” como diria Jesus. Não é mais possível manipulara-las,  e é por isso que este assunto é de grande periculosidade. Pessoas assim não se submetem a empregos exaustivos ou um padrão de vida pré-fabricado, não competem umas com as outras por status ou poder, e consequentemente não geram lucro para a minoria de bilionários e governantes do mundo.

A verdade é nos apagada, pouco a pouco no decorrer da vida. vivemos em um mundo de sombras, onde pensamos que vivemos, mas na verdade somos usados – tal como máquinas – para favorecer interesses particulares.

A boa notícia é que existe forma de sair disso, da “roda de Samsara”, e ela é muito simples na realidade.. e e bem por conta disso que seja tão difícil de ser entendida. Basta uma escolha individual, não participar da corridasoltar o mundo. “Buscai-vos primeiros ao reino dos céus e tudo mais será vos dado por acréscimo”.

Precisamos também refletir sobre o que essa frase significa, não soltamos o mundo e desistimos dele, continuamos a seguir as regras do jogo mas agora não fazendo mais parte do jogo. Não nos abstemos das coisas do mundo pensando que as coisas do “reino dos céus” serão diferentes, a parte “tudo mais será vos dado por acréscimo” não deixa margem para exclusão: tudo o que existe do mundo faz parte da criação, e portanto é sagrado. “O que está em cima é como o que está embaixo”.