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  • Metamorfose: uma reflexão sobre a utilidade da vida

    Metamorfose: uma reflexão sobre a utilidade da vida

    Recentemente, li o livro A Metamorfose, de Franz Kafka (publicado em 1915), no qual acompanhamos a história de Gregor Samsa, um jovem no início da vida adulta. Ele trabalha como caixeiro-viajante para pagar a dívida de seus pais com o patrão, vivendo uma rotina metódica e solitária. Todos os dias acorda às 5h da manhã para se apressar rumo ao trem das 6h, um ciclo repetitivo que reflete a rigidez da sociedade industrial da época.

    Certa manhã, porém, sua vida sofre uma ruptura inesperada. Gregor desperta e, ao tentar se levantar, percebe que algo não está normal em seu corpo. Depois de alguns movimentos descoordenados, descobre sua nova condição: havia se transformado em um inseto. Seus braços e pernas, antes úteis ao trabalho, agora eram frágeis e disfuncionais. Diante disso, precisava aprender a lidar com essa realidade absurda e incontrolável.

    A narrativa prossegue explorando não apenas os dilemas internos de Gregor, mas também as reações de sua família e de seu patrão. O atraso para o trabalho gera imediata visita do chefe à sua casa, como se sua vida lhe pertencesse, reforçando a ideia de que Gregor era visto mais como ferramenta do que como ser humano. A família, por sua vez, passa a encarar sua nova forma com repulsa e vergonha, distanciando-se progressivamente dele.

    A reflexão que Kafka nos propõe é profunda: Gregor, ao perder sua “utilidade” prática, deixa de ser reconhecido como sujeito digno de afeto, respeito ou consideração. Sua existência passa a ser reduzida à incapacidade, ao incômodo e ao peso que representa.

    Essa obra nos leva a questionar até que ponto nossa própria vida é medida apenas por aquilo que produzimos ou entregamos à sociedade. Será que nosso valor está unicamente ligado à função que exercemos? Ou será que existe dignidade, amor e sentido em simplesmente existir, independentemente daquilo que conseguimos oferecer em termos de trabalho ou produtividade?

    A história de Gregor Samsa é, portanto, uma metáfora amarga, mas necessária, sobre a desumanização presente em um mundo que valoriza mais a utilidade do que a essência. Kafka nos lembra que, quando a vida é reduzida apenas à lógica da função, esquecemos que, antes de tudo, somos seres humanos – frágeis, transitórios, mas profundamente merecedores de respeito.

    Com carinho,
    Rodrigo.

  • O que é mindfullness e como pode te ajudar a ter uma vida mais tranquila e com mais propósito

    O que é mindfullness e como pode te ajudar a ter uma vida mais tranquila e com mais propósito

    Vivemos em uma sociedade agitada, focada majoritariamente em resultados e em buscar aceitação coletiva, buscamos incansavelmente aumentar nossa produtividade para produzir e consumir mais, e como resultado nos sentir pertencentes a determinado status social.

    Resultante disso vivermos quase 100% do nosso tempo no futuro: Planeando ações a serem tomadas e conquistas a serem alcançadas (como ansiando promoções no trabalho, ou mesmo sofrendo antecipadamente por problemas que ainda não ocorreram, por exemplo), ou mesmo no passado, revivendo situações com as quais nem mesmo temos mais controle, o que nos geram constantes sentimentos de culpa.

    Em um mundo onde temos contato diário com um grande volume de informações em um ritmo frenético, ficamos paralisados em frente a isso: Comparando-nos frequentemente com outros em redes sociais ou em uma exaustiva jornada em buscar aprovação exterior. Raramente conseguimos desligar nossa mente e voltar nossa atenção para o presente, a realidade que estamos de fato vivendo.

    O mindfullness ou atenção plena nos convida a embarcar em uma missão de auto-conhecimento, compaixão e coragem em busca de conhecermos nós mesmos, tomando o freio de nossa vida, trazendo nossa atenção exclusivamente para o momento presente. 

    Hoje é comum vermos a meditação sendo vendida como uma ferramenta quase mágica para resolvermos problemas iminentes em nossa vida, como a ansiedade, angústia e até mesmo dores no corpo físico.

    Mas a meditação é muito mais que isso, é um estilo de vida a ser seguido, buscando controlar nossos pensamentos, entendendo como eles surgem e – como nuvens – desaparecem.

    Entender que os pensamento são apenas produtos do nosso cérebro e não representam quem somos. Entender que somos os observadores dos pensamentos, e não os pensamentos em sí.

    Isso por que, ao darmos foco em um pensamento, seja ele qual for, nosso corpo responde de maneira eficaz, trazendo a tona as sensações e sentimentos ligado a ele. Em um exemplo de uma recordação de um momento delicado de nossa vida, por exemplo a morte de alguém querido, ao relembramos e focar-mos nesse pensamento podemos ver a sensação de tristeza florecer novamente dentro do nosso peito.

    Se por outro lado, buscamos apenas observar este pensamento, entendendo que podemos escolher deixa-lo passar – como uma nuvem – pela nossa mente, ele então desaparecerá sem deixar rastros de angústia.

    O nosso desafio atual, enquanto humanidade, é que estamos acostumados com um padrão de vida agitado, onde nossos sentimentos e emoções correm soltos em nossas mentes, sem que ao menos nos demos o cuidado de prestar atenção em cada um, entendendo por que ele surgiu e aceitando que logo ele passará.

    Tornamo-nos como barcos soltos em um rio, deixando que cada lembrança nos leve a um estado diferente.

    Assim sendo, a atenção plena, ou mindfullness é um convite para escolhermos conscientemente observar nossos pensamentos e – como num cinema – apenas assisti-los, com compaixão de nós mesmos, sem culpas ou julgamentos, buscando entender que cada atitude que tomamos no passado foi feita com base em todo o conhecimento que tínhamos ate então, e que cada segundo de nossas vidas contribuiu da melhor maneira possível para moldar-nos como somos hoje.

    Devemos também voltar nossa atenção para o momento presente, ou seja, sempre que nossa mente se perder em devaneio de passados e futuros, escolhermos voltar para o momento presente, quantas vezes forem necessários.

    Somente realmente presentes no “agora” poderemos observar com nossos próprios olhos a magia que é cada novo dia, cada novo momento, ver a arte em cada nuância da vida, e assim como crianças descobrindo o mundo, nos fascinar com cada pequeno detalhe da vida.

    -Rg

  • NextCloud e Ubuntu Server: Como criei meu servidor em casa com um notebook velho!

    NextCloud e Ubuntu Server: Como criei meu servidor em casa com um notebook velho!

    Os anos se passam, e com eles, aprimoramos as tecnologias que fazem parte do nosso cotidiano. Provavelmente, em algum momento, você precisou de um novo computador ou notebook e, por isso, adquiriu um novo dispositivo. Não há nada de errado nisso, afinal, é maravilhoso ter um equipamento que atenda às nossas necessidades e seja confiável.

    Mas, por outro lado, o antigo equipamento, agora menos potente, muitas vezes é deixado de lado em uma gaveta ou coberto de poeira. Aqui está uma oportunidade incrível de remover a poeira e dar uma nova vida a esse hardware. Afinal, nada é tão ruim que não possa ser reutilizado, não é mesmo? 😉

    👀 Enquanto escrevo isso, lembro de uma curiosidade interessante:

    Sabia que o computador que levou o homem à lua em 1969 tinha menos poder de processamento do que um laptop de brinquedo que temos hoje? Pois é! Imagine o que podemos fazer com um “computador velho” dos dias de hoje.

    Para saber mais: O computador tinha o nome de Apollo Guidance Computer (AGC), com pouco mais de 4 MB de memória RAM para leitura de dados, além de 72 KB de memória ROM.

    (Referência: Dados de fullture.com – Acessado em 09/2022)

    Bem, se quiser saber, o computador que usei para este projeto é um antigo da marca Semp Toshiba, com 4 GB de RAM e um processador Celeron. Quando foi comprado em 2016, servia para as atividades do dia a dia, rs.

    No entanto, recentemente, todos em casa adquiriram Chromebooks, laptops super leves, pequenos, baratos e projetados para uso com serviços web. Esse “trambolho”, que era útil, agora ficou obsoleto.

    Foi aí que descobri o NextCloud, um projeto de código aberto que permite criar facilmente um servidor próprio para seus arquivos ou para o seu trabalho em geral. O ponto positivo é que você mantém o controle de suas informações, afastado da “vigilância digital” que temos atualmente (cof cof… teorias da conspiração).

    Mãos à obra!

    O primeiro passo é instalar o sistema operacional Ubuntu Server na máquina.

    Embora possa parecer assustador à primeira vista, a instalação é bastante simples. O Ubuntu Server, na versão específica para servidores, não possui uma interface gráfica por padrão. Todos os comandos serão feitos por linha de comando. Se quiser saber mais detalhes sobre a instalação, recomendo o tutorial do canal DioLinux clicando aqui – Crédito: Diolinux.

    Basicamente, você precisará baixar a ISO do sistema e criar um pendrive bootável. Você pode baixá-lo no site oficial. Para criar o pendrive bootável, existem diversas ferramentas, dependendo do sistema operacional que você está usando.

    Feito isso, basta instalar. Não vou aprofundar nos mínimos detalhes aqui, pois isso pode variar com a versão. Será mais interessante se você mesmo tentar, pesquisar e aprender com os erros. Acredite, é mais simples do que parece, mesmo sendo totalmente por linha de comando. Será necessário definir um nome de usuário, senha, local de instalação, entre outras coisas. Por fim, marque a opção para instalar o NextCloud automaticamente.

    (Uma tela semelhante a esta será exibida, onde você pode selecionar o NextCloud para ser instalado automaticamente, créditos da captura https://www.centlinux.com/2021/03/ubuntu-server-installation-guide-screenshots.html)

    Observação: Se estiver usando um laptop, pode ser útil desabilitar a função de “hibernar” quando a tampa do laptop é fechada, evitando que o servidor desligue ao guardar o laptop. Para isso, siga [este tutorial](https://ubuntuforums.org/showthread.php?t=2354378).

    Pronto, a instalação é só isso!

    Agora, o seu servidor NextCloud foi instalado corretamente (espero que tenha dado certo aí 😄; caso contrário, não hesite em formatar a máquina e tentar quantas vezes forem necessárias). Como próximo passo, basta acessar o IP local da máquina onde o NextCloud foi instalado, a partir de outra máquina na mesma rede.

    Se tudo funcionou, você verá a tela inicial do serviço.

    (Créditos: [LinuxTechi](https://www.linuxtechi.com/install-configure-nextcloud-on-centos-7-rhel-7/))

    Aqui, basta configurar com seu usuário, criar uma senha e começar a explorar o serviço.

    Eu particularmente adorei todo o processo. Realmente aprendi e me diverti realizando e usando o NextCloud. Espero que seja uma experiência legal para você também.

    Com carinho,

    Rodrigo 💙

  • As músicas do Minecraft são tão…

    As músicas do Minecraft são tão…

    Estes dias, enquanto explorava o Spotify, deparei-me quase por acaso com uma playlist de trilhas sonoras do Minecraft. Não sei bem por quê, mas achei tão inesperado que decidi dar o play. Inicialmente, pensava que as músicas seriam simples, talvez até estranhas, afinal, eram apenas as músicas de um jogo que não jogava há anos. Estava ali movido pela curiosidade. Para minha surpresa, não foi isso que aconteceu. Ao dar play, senti como se tivesse sido transportado para outra dimensão…

    Por que as músicas do Minecraft são tão… nostálgicas?

    Minecraft, lançado em 2011, é um jogo de aventura, solitário e misterioso. Nele, o jogador é colocado em um mundo vazio, com a liberdade de criar o que quiser, da forma que preferir, sem regras ou padrões a seguir. Basta explorar, coletar materiais e dar asas à imaginação. Essa é a essência incrível do jogo. Escapar do mundo real e aparecer em um novo universo, onde você pode ser quem quiser. Quer ser um rei? Construa um castelo. Ou talvez um fazendeiro? Coloque blocos e voilà, uma fazenda surge. Simples assim. Se você, assim como eu, descobriu o Minecraft na infância, percebe como o jogo, mesmo sendo simples, é incrível. Afinal, o simples também tem sua complexidade.

    E é aí que entram as músicas do Minecraft. Já parou para pensar que criar música para um jogo é quase uma missão impossível? A trilha sonora precisa expressar o sentimento do jogo, a atmosfera na qual o jogador está imerso. O piano e outros instrumentos simples conseguem capturar perfeitamente o sentimento que o Minecraft carrega: um mundo infinito em suas mãos, onde você pode fazer o que quiser, mas está sozinho.

    Lembro-me com carinho das tardes construindo cidades, reinos e casas (assistindo tutoriais no YouTube, rs). Era tudo mais simples, sem preocupações. A vida se resumia a brincar, tomar um banho morno e dormir, com os problemas do dia desaparecendo ao amanhecer. Cada manhã era um recomeço. O Minecraft consegue resumir esse sentimento melancólico e nostálgico da época em que vivi, da única época em que realmente vivi intensamente. Ver a vida com carinho, amor, criatividade e sem medo de se reinventar, aprender e, talvez, ter que aprender de novo. Cada pequena coisa era uma novidade.

    Às vezes, ao reescutar essas músicas, consigo lembrar de mim quando era criança, da minha forma única de ver o mundo, da simplicidade que era mais agridoce. Dos sonhos, de quem eu queria ser quando crescesse, da felicidade em saber que um dia realizaria esses sonhos. E então, cresci. Não vi a criança indo embora, assim como não pude ver as ondas nos separando. Espero um dia me reencontrar com a criança que fui, sentir novamente a sensibilidade, os sonhos vivos.

    Querida criança que fui: ao escutar essas músicas, ainda lembro de você, de como devo tudo o que sou a ti. A você, que foi mais corajoso, sonhando em um mundo tão cruel, ao contrário do jogo, sem o poder de controlar. Torço para que, num final de tarde, eu te encontre, que você continue escrevendo suas histórias, pintando seus desenhos, acreditando em um mundo mágico. Que me ensine novamente o que esqueci, conte histórias para eu dormir, me faça esquecer que o mundo não tem modo criativo. Dedicado ao Rodrigo que fui,

    Com carinho, Rodrigo.