As músicas do Minecraft são tão…

Estes dias, enquanto explorava o Spotify, deparei-me quase por acaso com uma playlist de trilhas sonoras do Minecraft. Não sei bem por quê, mas achei tão inesperado que decidi dar o play. Inicialmente, pensava que as músicas seriam simples, talvez até estranhas, afinal, eram apenas as músicas de um jogo que não jogava há anos. Estava ali movido pela curiosidade. Para minha surpresa, não foi isso que aconteceu. Ao dar play, senti como se tivesse sido transportado para outra dimensão…

Por que as músicas do Minecraft são tão… nostálgicas?

Minecraft, lançado em 2011, é um jogo de aventura, solitário e misterioso. Nele, o jogador é colocado em um mundo vazio, com a liberdade de criar o que quiser, da forma que preferir, sem regras ou padrões a seguir. Basta explorar, coletar materiais e dar asas à imaginação. Essa é a essência incrível do jogo. Escapar do mundo real e aparecer em um novo universo, onde você pode ser quem quiser. Quer ser um rei? Construa um castelo. Ou talvez um fazendeiro? Coloque blocos e voilà, uma fazenda surge. Simples assim. Se você, assim como eu, descobriu o Minecraft na infância, percebe como o jogo, mesmo sendo simples, é incrível. Afinal, o simples também tem sua complexidade.

E é aí que entram as músicas do Minecraft. Já parou para pensar que criar música para um jogo é quase uma missão impossível? A trilha sonora precisa expressar o sentimento do jogo, a atmosfera na qual o jogador está imerso. O piano e outros instrumentos simples conseguem capturar perfeitamente o sentimento que o Minecraft carrega: um mundo infinito em suas mãos, onde você pode fazer o que quiser, mas está sozinho.

Lembro-me com carinho das tardes construindo cidades, reinos e casas (assistindo tutoriais no YouTube, rs). Era tudo mais simples, sem preocupações. A vida se resumia a brincar, tomar um banho morno e dormir, com os problemas do dia desaparecendo ao amanhecer. Cada manhã era um recomeço. O Minecraft consegue resumir esse sentimento melancólico e nostálgico da época em que vivi, da única época em que realmente vivi intensamente. Ver a vida com carinho, amor, criatividade e sem medo de se reinventar, aprender e, talvez, ter que aprender de novo. Cada pequena coisa era uma novidade.

Às vezes, ao reescutar essas músicas, consigo lembrar de mim quando era criança, da minha forma única de ver o mundo, da simplicidade que era mais agridoce. Dos sonhos, de quem eu queria ser quando crescesse, da felicidade em saber que um dia realizaria esses sonhos. E então, cresci. Não vi a criança indo embora, assim como não pude ver as ondas nos separando. Espero um dia me reencontrar com a criança que fui, sentir novamente a sensibilidade, os sonhos vivos.

Querida criança que fui: ao escutar essas músicas, ainda lembro de você, de como devo tudo o que sou a ti. A você, que foi mais corajoso, sonhando em um mundo tão cruel, ao contrário do jogo, sem o poder de controlar. Torço para que, num final de tarde, eu te encontre, que você continue escrevendo suas histórias, pintando seus desenhos, acreditando em um mundo mágico. Que me ensine novamente o que esqueci, conte histórias para eu dormir, me faça esquecer que o mundo não tem modo criativo. Dedicado ao Rodrigo que fui,

Com carinho, Rodrigo.